quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Casas Noturnas de São Paulo

Todas as tribos antigas sempre tiveram seus locais de confraternização e nos tempos modernos não poderia ser diferente. Em nosso caso, costumamos nos reunir em casas noturnas, praças, bares e locais afins. Assim sendo, trago para a lembrança de vocês alguns dos locais onde se curtia muito rock e outras artes na cidade de São Paulo nos anos 70, 80 e 90. 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/

http://aconteceunosanos80.blogspot.com/


  

Carbono 14 - Fundada em 1982 por Andrez Castilho Filho, Andrez Castilho e Theo Castilho em um prédio de quatro andares nos quais tinham uma serraria (fechada durante a noite); uma sala de cinema para 35 mm, outra sala para 16 e Super 8, uma sala de vídeo onde eram exibidos filmes raros e vídeos de shows de rock de bandas estrangeiras, uma sala de jogos com fliperama, três bares, uma pista de dança e palco onde se apresentavam alguns dos principais nomes do rock brasileiro da década de 1980 tais como Ira!, Mercenárias, Smack, Nau, Cabine C Violeta de Outono, Akira S e As Garotas Que Erraram e Voluntários da Pátria. Além dos shows de música e exibição de filmes e vídeos, ocorriam também espetáculos de dança, vernissages de artes plásticas, teatro e performances. Era ao lado do Madame Satã, Lira Paulistana e Ácido Plástico, um dos principais pontos da vanguarda, contracultura e underground paulistano. Encerrou suas atividades em 1987. Contava com um jornal de programação com tiragem de 5.000 exemplares com o qual os frequentadores gratuitamente recebiam toda a programação e informação mensal.

Madame Satã - A casa fechou suas portas em 2009, quando era administrada por José Maurício Penteado, mas em outubro de 2011 foi anunciada a sua volta] que ocorreu em 29 de fevereiro de 2012. Viveu seu momento áureo na década de 1980, quando a new wave começou a fazer sucesso no Brasil. Ficou conhecido principalmente pela "salada cultural". Ao mesmo tempo em que funcionava majoritariamente como discoteca, também acolhia manifestações artísticas/culturais de todos os tipos. A convivência pacífica entre pessoas de postura, classe social, etnia e ideologias diferentes presentes em um mesmo lugar era comum, o que fugia à regra dos demais points da época; artistas, carecas, escritores, estudantes, homossexuais assumidos, intelectuais, jornalistas, poetas, punks, góticos, socialites, transformistas, entre outros, faziam a clientela da casa. Recebeu alguns dos primeiros shows de bandas da cidade como o RPM, Titãs, Ira!, entre outras.


Rose Bom Bom -  Ficava na Oscar Freire, 720 (Galeria Femina) na região dos jardins. Era meio punk. Subíamos uma escadinha lateral e dávamos de cara com um lugar meio... digamos assim... esquisito. A decoração era vermelha e a frequência era de gente bem alternativa. O repertório abrangia grooves americanos do hip hop e da house music, que logo cederam espaço para a EBM (Electronic Body Music) e new beat. No pequeno palco de apenas três metros de largura por dois de comprimento, os oito integrantes da formação original dos Titãs se acotovelavam para tocar "Sonífera Ilha", o primeiro hit. O Rose intercalava o som das picapes com apresentações ao vivo de bandas como Titãs, Ultrage a Rigor, Plebe Rude, Engenheiros do Hawaii. Eram duas ou três entradas de meia hora por noite, sempre encerradas com o providencial café da manhã servido para os últimos combatentes, pouco antes de a danceteria fechar.

AeroAnta - Foi inaugurado em 1987. Trazer bandas gringas era missão quase impossível em tempos de cruzeiros e cruzados, então eram os artistas nacionais que mais agitavam aquele palco. Cazuza, Cássia Eller, Chico Science, Tim Maia, Ed Motta, Raimundos, The Falla, Fellini, Mercenárias , Garage Fuzz e Ira! são alguns deles. Diz que era o clube predileto do Nick Cave em São Paulo, que foi visto no meio da plateia. O auge da casa foi nos anos 90, chegando até a ter filiais no Paraná. Mas acabou engolido pela obra de expansão da Av. Faria Lima em 1996. Hoje o endereço mudou, mas a casa se manteve, e virou o bar Z Carniceria nas mãos do Facundo Guerra. Depois do Aeroanta, as casas de show de pequeno porte que apareceram foram muitas, como o Studio SP, o CB e Cine Joia, o único que ainda existe.

Napalm - Ficava na Rua Marques de Itu 392. Era uma garagem acinzentada e sombria, mas com um palco grande o suficiente para abrigar uma banda de rock. Foi ali que os grupos de Brasília tocaram pela primeira vez em SP, como a Legião Urbana.  Por lá também se apresentavam os punks da periferia como Inocentes e Ratos de Porão. O local era frequentado por todas as tribos. De new waves a punks e reggueiros.

Woodstock Music Hall – Ficava na Rua da Consolação 3247. Nesse lugar apresentavam-se bandas cover. Era meio alternativo, rock inglês de vanguarda e shows com bandas  nacionais eram comuns por lá. Também era muito comum apresentações do conjunto Rock Memory.


Pirata
- Inaugurada em abril de 1979, a boate ficava na Ilha Porchat em São Vicente - SP.


Existiram e existem muitas mais. Gostaria de ter falado das famosíssimas Led Slay e Fofinho Rock Club, mas não encontrei nada que merecesse destaque. Ficam apenas as lembranças de quem as conheceu.

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